Expedição de Avistagem em Alcatrazes registra 12 espécies de aves e 3 mamíferos marinhos
   A Ilha de Alcatrazes, no litoral de São Paulo, é conhecida há muitos anos por sua fauna especial. Erguendo-se abruptamente do mar, essa montanha rodeada por florestas era, até o último ciclo glacial, parte do continente. Ao se tornar uma ilha, com a subida do oceano que resultou em seu isolamento durante 15 mil anos, abrigou linhagens que deram origem a novas espécies encontradas apenas lá. Exemplos são a perereca-de-Alcatrazes, que vive em bromélias, uma rã que habita as fendas das rochas, e a famosa jararaca-de-Alcatrazes. Lá também se reproduzem um impressionante número de aves marinhas, mas é por causa de seus répteis e anfíbios, únicos no mundo, que essa ilha vinha sendo estudada desde 1987 por pesquisadores do Instituto Butantan.
     No entanto, o interesse mais recente dos pesquisadores não está no arquipélago, e sim no oceano: as baleias e golfinhos que podem ser vistos na região.
     Em parceria com Julio Cardoso, Diretor de Meio Ambiente do Yatch Club de Ilhabela (YCI) e fundador do Projeto Baleia à Vista, que desde 2004 vem registrando as espécies que ocorrem na região em atividades de avistagem e também de educação ambiental, a equipe do Museu Biológico do Instituto Butantan iniciou em 2016 um projeto que reúne voluntários, observadores de aves, membros da comunidade local e o ICMBio, para reforçar as atividades de registro dos cetáceos e das aves marinhas e pelágicas.
     Em Agosto de 2016 foi oficialmente criada a REVIS Alcatrazes, cujo plano de manejo prevê a realização de ações de educação ambiental combinadas com a pesquisa científica. Desta forma, Julio, o ecólogo Fabio Olmos e a pesquisadora do Butantan, Erika Hingst-Zaher, aliaram a ciência-cidadã, ou coleta de dados por não-cientistas, com os protocolos já estabelecidos de registro de espécies no entorno das ilhas.
 Expedição de avistagem na área da REVIS, durante a 44° semana de vela do Yacht Club de Ilhabela,

Expedição de avistagem na área da REVIS, durante a 44° semana de vela do Yacht Club de Ilhabela,

     Entre 7 e 15 de julho, durante a 44° semana de vela do Yacht Club de Ilhabela, foi realizada mais uma expedição de avistagem, sendo que no dia 09/07 essa expedição ocorreu na área da REVIS acompanhando a Regata Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil. Durante toda a expedição contou-se com a participação dos 130 barcos inscritos e 1040 velejadores, além do grande número de embarcações que acompanharam a regata. A bióloga Priscila Couto, do Museu Biológico, coordenou as atividades do instituto Butantan na expedição.
     Foram percorridas 219,946 milhas (353,97 km) ao arredores de Ilhabela em pouco mais de 17 horas. Foram avistadas 12 espécies de aves, e todas as listas completas foram enviadas para a plataforma de ciência cidadã eBird. Todas as observações foram feitas em conjunto com a equipe do Projeto Baleia à Vista, com a participação da bióloga responseavel pela parte científica do projeto Baleia à Vista e fotógrafa Arlaine Francisco, na embarcação Ballerina. Destacaram-se o tesourão (Fregata magnificens), gaivotões (Larus dominicanus), atobás-pardos (Sula leucogaster), bobos-pequenos (Puffinus puffinus), trinta-reis-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea), trinta-reis-anão (Sternula superciliaris), urubu (Coragyps atratus), carcará (Caracara plancus), carrapateiro (Milvago chimachima) entre outras aves. A equipe e os participantes puderam observar três espécies de cetáceos. Um grupo de mais de 150 botos-cinza (Sotalia guianensis), observado em dois dias consecutivos, um grande grupo de golfinhos-pintados-do-atlântico (Stenella frontalis) e uma baleia-de-bryde  (Balaenoptera brydei), que já havia sido avistada em expedições anteriores e possui uma enorme cicatriz na base da nadadeira dorsal. Como foge muito rápido das embarcações, em um comportamento particularmente arredio, essa baleia foi batizada de escondidinha pelos marinheiros locais.
 boto-cinza Sotalia guianensis . (foto: Priscila Couto)

boto-cinza Sotalia guianensis . (foto: Priscila Couto)

 boto-cinza Sotalia guianensis . (foto: Priscila Couto)

boto-cinza Sotalia guianensis . (foto: Priscila Couto)

Grupo de boto-cinza Sotalia guianensis . (foto: Priscila Couto)

Grupo de boto-cinza Sotalia guianensis . (foto: Priscila Couto)

    O boto-cinza (Sotalia guianensis) possui a coloração acinzentada com a região ventral mais clara, nadadeira dorsal pequena e triangular levemente curvada. São animais tímidos e nem sempre se aproximam de embarcações, e uma das estratégias alimentares é a formação de grandes grupos.
 golfinho-pintado-do-atlântico Stenella frontalis . (foto: Priscila Couto)

golfinho-pintado-do-atlântico Stenella frontalis . (foto: Priscila Couto)

 golfinho-pintado-do-atlântico Stenella frontalis . (foto: Priscila Couto)

golfinho-pintado-do-atlântico Stenella frontalis . (foto: Priscila Couto)

 golfinho-pintado-do-atlântico Stenella frontalis . (foto: Priscila Couto)

golfinho-pintado-do-atlântico Stenella frontalis . (foto: Priscila Couto)

     O golfinho-pintado-do-atlântico (Stenella frontalis)  possui o corpo robusto com dorso cinza escuro, flanco cinza claro e ventre branco, e pintas pelo corpo especialmente na fase adulta. Estes animais curiosos se aproximam de embarcações, com natação veloz e saltando com frequência.
 baleia-de-bryde Balaenoptera brydei . (foto: Priscila Couto)

baleia-de-bryde Balaenoptera brydei . (foto: Priscila Couto)

 baleia-de-bryde Balaenoptera brydei . (foto: Júlio Cardoso)

baleia-de-bryde Balaenoptera brydei . (foto: Júlio Cardoso)

     A baleia-de-bryde  (Balaenoptera brydei) possui o corpo esguio, coloração cinza escuro com ventre mais claro, e em sua cabeça possui 3 quilhas, além de uma nadadeira dorsal alta e falcada. Nada rapidamente e em sequências irregulares de deslocamento.
 atoba-pardos Sula leucogaster . (foto: Priscila Couto)

atoba-pardos Sula leucogaster . (foto: Priscila Couto)

 carrapateiro Milvago chimachima . (foto: Priscila Couto)

carrapateiro Milvago chimachima . (foto: Priscila Couto)

 gaivotões Larus dominicanus . (foto: Priscila Couto)

gaivotões Larus dominicanus . (foto: Priscila Couto)

     Para saber mais sobre cada uma dessas espécies de aves, consulte o Wikiaves (www.wikiaves.com.br).

2 Comentários

  • Arlaine Francisco 2017 jul 22 / 19:28

    No texto constam várias informações incorretas, favor corrigir:
    1. Julio Cardoso é Diretor de Meio Ambiente do Yatch Club de Ilhabela (YCI) e fundador do Projeto Baleia à Vista, e não Secretário.
    2. O REVIS Alcatrazes foi fundado em agosto de 2016.
    3. A equipe do Projeto Baleia à Vista, acompanhada pela bióloga Priscila Couto, só fez observações na área do REVIS no dia 09 de julho, acompanhando a Regata Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil.
    4. A baleia-de-Bryde, os botos e os golfinhos-pintados foram observados nos arredores de Ilhabela, não estavam na área do REVIS Alcatrazes.
    Todas as observações citadas foram feitas em conjunto com a equipe do Projeto Baleia à Vista, do qual sou bióloga e fotógrafa, na embarcação Ballerina.

    • gabinete 2017 ago 14 / 15:05

      Boa tarde Arlaine,

      Muito obrigada pelas informações.

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