Mata do pica-pau-de-cabeça-amarela
     Um dos objetivos do projeto de pesquisa com os pica-paus do Butantan é descobrir qual o uso que eles fazem do espaço no parque. Para isso, em setembro de 2016 colocamos um transmissor de radiotelemetria nas costas de uma fêmea do pica-pau-de-cabeça-amarela (Celeus flavescens), que nos permitiu mapear seu deslocamento e saber onde ela se encontrava em diversos momentos do dia.
     A radiotelemetria é o uso de um equipamento de radio que, combinando um transmissor com um receptor, permite localizar o animal. O transmissor é um pequeno aparelho que não pode ter mais do que 3% do peso total do animal no qual será colocado (figura abaixo). O transmissor emite um sinal que o receptor detecta, e esta detecção é amplificada através da antena. Para usar estes três componentes, de forma que seja possível estimar a área de vida, são feitas as triangulações.
Aplicação do transmissor de radiotelemetria na fêmea do Celeus flavescens. (foto: Juliana Hiromi Nakayama Machado)

Aplicação do transmissor de radiotelemetria na fêmea do Celeus flavescens. (foto: Juliana Hiromi Nakayama Machado)

     Uma triangulação é realizada buscando-se três pontos onde as antenas posicionadas detectam um sinal mais forte, formando ângulos maiores de 30º e que se cruzam em um determinado ponto. Várias destas permitem determinar os vários pontos onde o animal se encontrava.
Busca do sinal emitido pelo transmissor, usando a antena. (Foto: Juliana Hiromi Nakayama Machado)

Busca do sinal emitido pelo transmissor, usando a antena. (Foto: Juliana Hiromi Nakayama Machado)

A radiotelemetria permite que se conheça o tamanho da área de vida da ave, servindo como base para a caracterização de seu meio e também para a elaboração de planos de conservação da espécie.
No caso do pica-pau-de-cabeça amarela que recebeu o transmissor, o acompanhamento foi feito durante 10 dias, resultando no mapeamento da figura.
Mapa do Instituto Butantan com os pontos estimados onde a fêmea de pica-pau esteve durante os 10 dias de monitoramento. (foto: Carlos Candia-Gallardo)

Mapa do Instituto Butantan com os pontos estimados onde a fêmea de pica-pau esteve durante os 10 dias de monitoramento. (foto: Carlos Candia-Gallardo)

     O Horto Oswaldo Cruz, local onde foi monitorado o pica-pau-de-cabeça-amarela, apresenta uma área de 5 hectares. Durante o período em que foi monitorado, a fêmea frequentou quase toda esta área, fortemente influenciada pela presença de espécies vegetais exóticas invasoras como a palmeira australiana. Os dados sobre a ecologia desta espécie de pica-pau no parque do Instituto mostram que a palmeira não é uma das espécies utilizadas. Celeus flavescens é um pica-pau generalista, se alimentando primeiramente de insetos e secundariamente, de frutos, como as amoras e abacates presentes no Instituto. Essas características fazem como que possa sobreviver no ambiente urbano, na cidade de São Paulo.