Observatório de Aves

     Observatórios de Aves” são centros de pesquisa e educação situados em locais estratégicos para o estudo de aves silvestres, como regiões com grande concentração de espécies e/ou ao longo de rotas migratórias. Sua missão é promover a conservação da biodiversidade através da produção de conhecimento e conscientização do público, unindo ciência e educação
     As atividades de pesquisa desenvolvidas nesses centros têm como base o monitoramento de longo prazo, e além da sua aplicação prática em ações de conservação, o conhecimento gerado aumenta o conhecimento da biologia das aves, incluindo, por exemplo, período reprodutivo, padrões de muda e dinâmica de movimentos migratórios.
Avaliação do padrão de muda

Avaliação do padrão de muda

     Em larga escala, os resultados dos monitoramentos de longo prazo permitem avaliar o impacto de fenômenos como o efeito das mudanças climáticas globais e fragmentação florestal sobre a biodiversidade.
     Além disso, as atividades de pesquisa realizadas nos observatórios permitem a coleta de grande quantidade de amostras biológicas de agentes patogênicos, dando suporte a programas de vigilância ambiental em saúde.
     As ações de educação e divulgação desenvolvidas buscam promover o contato do público em geral com a biodiversidade. Diferentes estudos apontam que pessoas comuns expostas a um contato mais próximo com a natureza são muito mais suscetíveis a atuar a favor da conservação. Dessa forma, através do oferecimento de atividades como caminhadas para observação de aves, oficinas, palestras, cursos e eventos os observatórios desenvolvem o importante papel de engajar a sociedade na conservação.
Atividade de anilhamento demonstrativo

Atividade de anilhamento demonstrativo

     Além disso, dentro do conceito “ciência cidadã”, os observatórios de aves possuem tradição em envolver a sociedade, de forma voluntária, na coleta e análise de dados científicos. É frequente também a presença de voluntários auxiliando na rotina de atividades de um observatório.
     Atualmente existem mais de 100 Observatórios de Aves em atividade ao redor do mundo, mantidos por instituições governamentais, não governamentais ou iniciativa privada. A maior parte está localizada nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, mas outros países como Alemanha, Suíça, Austrália, Finlândia, Dinamarca, Japão, Grécia, Israel, Gâmbia, Costa Rica, entre outros, também possuem Observatórios de Aves ativos. Alguns, como o Heligoland Bird Observatory, na Alemanha, estão em operação há mais 50 anos.
     Com quase duas mil espécies, o Brasil é o segundo país do mundo em riqueza de aves, e o primeiro em número de espécies ameaçadas de extinção, com 164 espécies listadas. Surpreendentemente, até recentemente não existia nenhum observatório de aves em atividade no país, para o estudo contínuo das populações. Esse cenário mudou com a fundação em 2014 do Observatório de Aves – Instituto Butantan (OAIBu).
Grupo de participantes durante o #vempassarinhar no parque do Instituto Butantan

Grupo de participantes durante o #vempassarinhar no parque do Instituto Butantan

     As atividades desenvolvidas pelo OAIBu incluem o levantamento e monitoramento de longo prazo da avifauna de diferentes áreas, o estudo de aspectos ligados a biologia e ecologia das espécies e a realização de vigilância ambiental em saúde através de aves silvestres. Além disso, também são desenvolvidas atividades educativas e de divulgação científica para diferentes públicos.
     Um dos pontos centrais das atividades é o parque do Instituto Butantan, uma ilha verde com mais de 60 hectares de floresta localizada dentro da área urbana da cidade de São Paulo. Além do monitoramento das aves através de censo e anilhamento, no campus são desenvolvidas atividades educativas como o #vempassarinhar, a caminhada mensal de observação de aves promovida pelo OAIBu.