#vempassarinhar

     A observação de aves é uma atividade de lazer baseada na busca, identificação e registro de diferentes espécies de aves em seu ambiente natural. Internacionalmente conhecida como “birdwatching” ou “birding”, esse passatempo reúne milhões de praticantes em todo o mundo. No Estados Unidos, por exemplo, estima-se que no ano 2000 haviam 70 milhões de observadores de aves. No Brasil, no entanto, é uma atividade ainda pouco explorada, especialmente se levado em conta que o país abriga uma das avifaunas mais ricas do planeta.
     Além de ser uma forma de lazer, a observação de aves também pode servir como base para ações de educação ambiental e na coleta de dados, em apoio a trabalhos científicos, dentro da perspectiva do “cientista cidadão”.
Grupo de participantes durante o #vempassarinhar no parque Ibirapuera

Grupo de participantes durante o #vempassarinhar no parque Ibirapuera

     O Instituto Butantan, vinculado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, é um dos maiores centros de pesquisa biomédica do mundo, e um importante centro de pesquisa em toxinologia, e diversidade animal. Além disso é também um importante espaço para divulgação de ciência e cultura, principalmente através de seus três museus.
     O parque urbano onde se situa era uma antiga fazenda, e por isso mesmo uma extensa área de pasto. Com o passar do tempo e a preocupação em cuidar da vegetação nativa, a área foi novamente colonizada pela Mata Atlântica, e atualmente dos 80 hectares do parque, mais de 60 são cobertos por matas secundárias.
Participantes durante o #vempassarinhar no parque do Instituto Butantan

Participantes durante o #vempassarinhar no parque do Instituto Butantan

     Pelo menos uma vez por mês, geralmente aos sábados, pode-se apreciar um grupo grande de pessoas de todas as idades, com binóculos, câmeras, guias, andando pelo parque e conversando animadamente entre si. Em diversos momentos, todos ficam silenciosos observando e fotografando alguma ave interessante. Durante o passeio, que dura cerca de duas horas, o grupo tem a oportunidade de visitar áreas que normalmente são restritas aos pesquisadores do Instituto. O ornitólogo que acompanha o grupo, localiza e aponta as diferentes espécies e dando informações sobre elas. São cerca de 150 espécies de aves no parque, e destas, entre 40 e 50 podem ser vistas em uma única manhã.
Crianças contando aves no parque do Instituto Butantan, em 2016. Foto: Camilla Carvalho

Crianças contando aves no parque do Instituto Butantan, em 2016. Foto: Camilla Carvalho

     As pessoas ficam admiradas ao perceber que bem ao lado delas, na cidade, existem aves tão lindas como o pica-pau-de-banda-branca e o pica-pau-de-cabeça-amarela. A alma de gato e os bandos de papagaios, maracanãs e periquitos também chamam atenção. À noite os bacuraus e as corujas podem ser vistos, se o observador procurar com atenção. A corruíra, o sabiá-laranjeira e o bem-te-vi são comuns, tanto no Butantan quanto nas ruas da cidade. O jacu espanta pelo seu tamanho, e bandos de 3 ou 4 aparecem de de manhã cedo ou no final da tarde no parque do Instituto.
pica-pau-de-banda-branca (Dryocopus lineatus) – Imagem: Luciano Lima

pica-pau-de-banda-branca (Dryocopus lineatus). Imagem: Denis Mello

pica-pau-de-cabeça-amarela (Celeus flavescens) – Imagem: Luciano Lima

pica-pau-de-cabeça-amarela (Celeus flavescens). Imagem: Priscila Couto

alma-de-gato (Piaya cayana) – Imagem: Luciano Lima

alma-de-gato (Piaya cayana). Imagem: Priscila Couto

maracanã-pequena (Diopsittaca nobilis) – Imagem: Luciano Lima

maracanã-pequena (Diopsittaca nobilis). Imagem: Priscila Couto

papagaio (Amazona aestiva) – Imagem: Luciano Lima

papagaio (Amazona aestiva). Imagem: Priscila Couto

periquito-rico (Brotogeris tirica) – Imagem: Luciano Lima

periquito-rico (Brotogeris tirica). Imagem: Erika Hingst-Zaher

corujinha-do-mato (Megascops choliba) – Imagem: Luciano Lima

corujinha-do-mato (Megascops choliba). Imagem: Priscila Couto

corruíra (Troglodytes musculus). Imagem: Priscila Couto

sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris). Imagem: Priscila Couto

jacuaçu (Penelope obscura) – Imagem: Luciano Lima

jacuaçu (Penelope obscura). Imagem: Priscila Couto

     A lista de aves observadas e suas contagens é feita logo depois da caminhada, e enviada a uma plataforma de ciência colaborativa, o eBird, onde fica disponível para pesquisadores e cidadãos.
     Depois do passeio os observadores se reunem para um café da manhã coletivo, com bolos, pães, frutas, sucos e café trazidos por todos. Algumas vezes o café da manhã é acompanhado pelo som de flautas, tocadas pelos professores e alunos da escola de Música Movimento, que fica no bairro Butantã.
Café

Café da manhã coletivo

     Por fim, os participantes assistem a uma apresentação e participam de um bate-papo, o “papo de Passarinho”, sobre algum tema relacionado às aves, vida silvestre ou à conservação, que pode ser conduzido por um pesquisador, um fotógrafo, um artista, um viajante, ou um educador.
     O uso do Parque do Instituto Butantan para a observação de aves representa uma importante ampliação no atendimento do público visitante, de forma diferente dos três Museus existentes na instituição, já que se dá ao ar livre e não se limita a horários de funcionamento. Além disso, promove uma experiência diferenciada ao visitante, tornando possível utilizar informações científicas para atividades descontraídas e que podem agregar todos os membros de grupos de familiares e amigos.