Saguis

     Quem nunca ouviu um bebê fazendo sons na tentativa de formar palavras? Esses sons, chamados de ”balbucios” tem uma função extremamente importante para aquisição da linguagem, pois é a partir dos balbucios que o bebê aprende a produzir os sons característicos da sua língua nativa que, futuramente, formarão as palavras.
     Assim, um bebê que nasceu no Japão, por exemplo, produz sons totalmente diferentes de um bebê que nasceu aqui no Brasil. Essa forma de aprender a formar sons não é só característica da espécie humana: algumas aves canoras, que produzem cantos complexos, precisam ouvir seus pais cantando para aprender a cantar igual a eles também, passando por uma fase que produz sons aleatórios, que vão se aperfeiçoando até virar o canto característico da espécie.
    Curiosamente, os macacos, animais evolutivamente muito mais próximos aos seres humanos do que as aves, não passam por essa fase. O que as pesquisas mostram é que, a partir do momento que o macaco começa a vocalizar, os sons produzidos já são iguais aos sons produzidos por adultos.
Sonograma de Callithrix jacchus presente no artigo de Bezerra e Souto

Sonograma de Callithrix jacchus presente no artigo de Bezerra e Souto

     Um filhote de sagui-de-tufo-branco (Callithrix jacchus), por exemplo, produz sons exatamente iguais aos produzidos por adultos dessa espécie, do mesmo modo que um filhote de sagui-de-tufo-preto (Callithrix penicellata) produz sons exatamente iguais aos produzidos por adultos dessa espécie. O que ocorre, porém, quando as duas espécies se cruzam, formando indivíduos híbridos? Que sons esses indivíduos vão produzir? Será que serão vocalizações características de cada uma das espécies? Ou será que serão uma mistura das vocalizações de cada espécie?
     Para responder essas perguntas essa pesquisa irá caracterizar as vocalizações dos saguis do horto Oswaldo Cruz do Instituto Butantan que são híbridos. Além disso, iremos tocar gravações das vocalizações de cada espécie de sagui que originou os híbridos do horto e verificar se os indivíduos híbridos entendem e respondem a essas vocalizações.